Sexta Feira, 23 Agosto 2019

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A música como afirmação de resistência para os jovens palestinos

A Orquestra Juvenil da Palestina (OJP) está em digressão pelo Norte da Europa. A sua existência é, por si só, um tributo ao querer e resistência da juventude palestina cuja paixão pela música a leva a ultrapassar os inúmeros obstáculos criados pelas autoridades de ocupação israelitas

Numa entrevista feita pela jornalista Samira Shackle para a Al Jazeera, Nai Barghouti, agora uma estrela em ascensão na world music, que acompanha a OJP, recorda quando tinha 11 anos e foi barrada num checkpoint quando se dirigia para a sua lição semanal de música, na Cisjordânia. Ao pai, que pretendia que regressasse a casa, replicou: «Não, não volto para casa porque isso é o que eles querem. Para mim é muito importante ir às lições de música. É o meu direito. Mas, na Palestina, a arte tornou-se um privilégio e não um direito».

A OJP foi criada em 2004 no seio do Conservatório Nacional de Música Edward Said (CNMES) com a visão de juntar jovens músicos palestinos de todo o mundo. Os jovens músicos reúnem-se anualmente num curso residencial de uma semana, seguido de uma digressão. Em cada ano é escolhido um país diferente para acolher o estágio que acolhe, também, jovens músicos do país anfitrião. A orquestra promove as obras de compositores palestinos e árabes, bem como obras bem conhecidas do repertório sinfónico ocidental.

Em 2019, os jovens músicos estiveram em residência em Kristiansund, na Noruega, e a digressão, iniciada em 4 de Agosto, inclui concertos na Noruega, Suécia, Dinamarca e Alemanha, terminando no dia 16 com uma apresentação no Concertgebouw de Amsterdão.

Suhail Khoury, que fundou a OJP, relata à jornalista a dificuldade de reunir os membros da orquestra: «As autoridades israelitas recusam, frequentemente, autorizações de viagem para os músicos residentes em Gaza, mesmo que tenham vistos para viajar para o estrangeiro. Os músicos que vivem no Líbano ou na Síria têm dificuldade em obter autorização para vir tocar à Cisjordânia. Às vezes temos de fazer os ensaios por Skype.»

Rafeef Ziadah, poeta e ativista de direitos humanos, professora na Escola de Estudos Africanos e Orientais da Universidade de Londres, afirma: «É muito difícil para os palestinos reunirem-se, para além destas barreiras, para formar coletivos ou viajar. É por isso que um projecto como a OJP é muito importante – a sua própria existência desafia este sistema de opressão que segrega os palestinos uns dos outros e do resto do mundo.»

A perseguição das autoridades da ocupação estende-se ao corpo docente do CNMES. Em 2017-2018, foi proibida a entrada a 4 dos 19 professores estrangeiros e em 2018-2019 a interdição estendeu-se a 8 dos 20 docentes internacionais.

O Conservatório Nacional de Música foi fundado em 1993 na Universidade Birzeit, em Ramala. Gradualmente, foi criando novos polos: Jerusalém (1996), Belém (1997), Nablus (2010), Escola de Música de Gaza (2012) e Escola de Música Tchaikovsky em Belém (2017). Em 2004, adoptou o seu nome atual em homenagem ao grande intelectual palestino Edward Said. Presentemente, o CNMED acolhe, além da Orquestra Juvenil da Palestina, as Cordas da Palestina (2009), Maqamat al-Quds e a Orquestra Nacional Palestina (2010) e Banat al-Quds (2013). Actualmente, mais de 1000 estudantes frequentam o CNMES e outros 580 integram os coros infantis.

 

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