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Conheça o Palestino do Chile, primeiro adversário do Fortaleza na Sulamericana

Bicampeão chileno, o Tino de La Cisterna é o orgulho da comunidade palestina do Chile – dentro e fora de campo.

Conheça o Palestino do Chile, primeiro adversário do Fortaleza na Sulamericana

 

Bicampeão chileno, o Tino de La Cisterna é o orgulho da comunidade palestina do Chile – dentro e fora de campo.

 

 Os adversários do Fortaleza na Sulamericana estão decididos. O sorteio da Conmebol colocou o Tricolor do Pici no grupo H, composto por San Lorenzo (ARG), Estudiantes de Mérida (VEN) e Palestino (CHI). O primeiro jogo do Fortaleza na competição será contra o Palestino, nesta quarta-feira, 5 de abril, na Arena Castelão. O jogo será transmitido pelo Star .

Pouco falado no Brasil, o Palestino é um dos clubes mais internacionalmente reconhecidos do Chile – não necessariamente por seu desempenho em campo. Modesto, o clube foi fundado em 1920 por membros da numerosa diáspora palestina no Chile, hoje estimada entre 350 e 500 mil pessoas. Além de representar a maior comunidade palestina fora do Oriente Médio, o clube conta com a torcida de palestinos e simpatizantes da causa Palestina em todo o planeta.

Em campo, o Palestino é uma das forças emergentes no futebol chileno, com oito participações em torneios continentais em dez anos. Apesar de pouco conhecido, o Palestino já eliminou um gigante do futebol brasileiro na Sulamericana. Fora de campo, o clube é a encarnação da rica história povo palestino, há 102 anos carregando o nome e as cores da bandeira do país ocupado por Israel. 

A seguir, trazemos um pouco da trajetória do adversário do Fortaleza dentro e fora dos gramados.

 

O Palestino em campo: eterno azarão

 

 Quarto colocado no campeonato chileno do ano passado, o Palestino vive um momento de ascensão. Bicampeão chileno (1955 e 1978) e tricampeão da Copa Chile (1975, 1977 e 2018), o clube esteve em seu auge na década de 1970, quando participou por três vezes da Libertadores (1976, 1978 e 1979). A era de ouro do Palestino culminou na disputa da Libertadores de 1979: Elias Figueroa, zagueiro chileno que fez história com a camisa do Internacional de Porto Alegre, foi o capitão do time entre 1978 e 1979. Com Figueroa, o Palestino conquistou um título nacional e a classificação à Libertadores – competição à qual retornaria apenas 35 anos depois. 

Sua melhor participação na Libertadores foi em 1979. Primeiro colocado na fase de grupos, o clube chegou à segunda fase do torneio, disputada em dois grupos de três times com jogos de ida e volta. O Palestino fez apenas dois pontos em quatro jogos nesta fase, à época chamada de “semifinal”. Jogou contra o Guarani, campeão brasileiro de 1978, e o Olímpia, do Paraguai, que se classificou para a final e conquistou a Libertadores daquele ano.

 Afastado dos campeonatos continentais desde então, o clube da região metropolitana de Santiago ganhou força no cenário internacional nos últimos dez anos. Em 2014, o clube se classificou novamente para a Libertadores. Neste período, los árabes acumulam oito participações em torneios da Conmebol – três Libertadores e cinco Sulamericanas. Na Sula, a melhor campanha do Palestino foi em 2016, quando chegou às quartas-de-final da competição. Eliminado pelo San Lorenzo, o Palestino fez história ao derrotar o Flamengo-RJ nas oitavas-de-final da competição. Após perder por 1 a 0 no Chile, o Tino venceu o rubro-negro carioca por 2 a 1 e se classificou pelo critério do gol qualificado.

 

#TodoUnPueblo: como a Palestina deu origem ao Palestino?

 

A migração palestina para o Chile começou no fim do século XIX. Os primeiros palestinos que foram para o país estavam entre os milhares de árabes que fugiam da Guerra da Crimeia, entre Rússia e Império Otomano (atual Turquia). Enquanto sírios e libaneses migraram para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, os palestinos tiveram como principal destino Santiago, no Chile.

No começo do século XX, os migrantes palestinos se uniram para fundar o Club Palestino de Chile. Em 1920, o clube surge já com as cores e o nome de seu país. Após sofrer com a discriminação contra palestinos no cenário do futebol amador chileno, o clube se estabeleceu no futebol durante o início da profissionalização do esporte no país, nos anos 1950. Los árabes, como são chamados os torcedores do Palestino, jamais esqueceram suas origens: embora o elenco seja composto por pessoas de vários países, a fiel torcida do Palestino segue, em sua maioria, palestina.

Atualmente, as redes sociais do Palestino alternam entre o conteúdo comum para um clube de futebol – gols, jogadas e escalações – e posicionamentos em apoio à Palestina. Em 2014, o clube causou polêmica ao trocar o número “1” na fonte de sua camisa pelo contorno das fronteiras da Palestina Histórica – isto é, antes da ocupação israelense. Em junho de 2022, Yousef Qabha, uma criança palestina de três anos, teve sua camisa tomada por um policial israelense. O clube respondeu enviando uma camisa oficial do Palestino para Yousef. Por essas e por outras demonstrações de solidariedade, o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, já declarou apoio ao clube. O Bank of Palestine, por sua vez, é um dos principais patrocinadores do Palestino. 

 A forte presença palestina no Chile faz do Palestino um time simpático para boa parte dos torcedores de outros times. O Palestino joga no La Cisterna, acanhado estádio com capacidade para doze mil torcedores. O estádio costuma ser o suficiente para acomodar os torcedores mais fiéis, em sua maioria descendentes de migrantes e refugiados palestinos. Isso muda em jogos decisivos, como a decisão das quartas-de-final da Sulamericana contra o San Lorenzo, em 2016. Na ocasião, simpatizantes de diversas torcidas se somaram à torcida pelo clube e lotaram as arquibancadas.

 Por isso, o slogan do Palestino nas redes sociais é #TodoUnPueblo. Mais que um clube, o Palestino representa todo o povo palestino.

 

Sobre o autor:

Caio Porto é mestre e cursa o doutorado em sociologia pela Universidade de Brasília. Estuda movimentos sociais e a comunidade palestina no Brasil. Colabora com o Instituto Brasil-Palestina e com a Juventude Sanaúd.

 

Referências

 

Twitter do Palestino (little Yousef): https://twitter.com/CDPalestinoSADP/status/1539691646685614080?s=20

 

ALZOUBI, Ahmad. Deportivo Palestino do Chile: Nas arenas do futebol e da solidariedade. Monitor do Oriente Médio (online), 2 de dezembro de 2022. Disponível em https://www.monitordooriente.com/20221202-deportivo-palestino-do-chile/.

 

PELEJA. Palestino: um povo nas costas (vídeo). 22 de maio de 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OO0JzaoXXG0&t=898s&ab_channel=PELEJA

 

SANTANA, Sidney D. Palestino, 100 anos de futebol e identidade. Ludopédio (online), 24 de agosto de 2020. Disponível em: https://ludopedio.org.br/arquibancada/palestino-100-anos/

 

STRINI, Antônio. ‘Defender e representar um país’: conheça o Palestino e a influência da colônia no Chile. ESPN (online), 23 de junho de 2015. Disponível em http://www.espn.com.br/noticia/521052_defender-e-representar-um-pais-conheca-o-palestino-e-a-influencia-da-colonia-no-chile

 

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    postado por: Caio Porto
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