Terça Feira, 04 Agosto 2020

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Embaixadores europeus advertem Israel contra a anexação da Cisjordânia

Onze embaixadores europeus avisaram Israel de que, se avançar com os planos de anexação de partes da Cisjordânia ocupada como consta do acordo de coligação governamental recentemente assinado, isso será «uma clara violação do direito internacional» que terá «graves consequências» para o país.

Embaixadores do Reino Unido, Alemanha, França, Irlanda, Países Baixos, Itália, Espanha, Suécia, Bélgica, Dinamarca e Finlândia, bem como da União Europeia (UE), apresentaram a sua objeção formal ao plano, segundo informação do Canal 13 da televisão israelita, citado pelo jornal Times of Israel.

O protesto dos embaixadores ocorreu durante uma videoconferência com a adjunta do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita para a Europa, Anna Azari.

«Estamos muito preocupados com a cláusula do acordo de coligação que abre caminho à anexação de partes da Cisjordânia. A anexação de qualquer parte da Cisjordânia constitui uma clara violação do direito internacional», afirmaram os embaixadores. «Estas medidas unilaterais prejudicarão os esforços de renovação do processo de paz e terão graves consequências para a estabilidade regional e para a posição de Israel na cena internacional.»

Os embaixadores também exigiram o congelamento dos planos do governo para permitir a construção no bairro de Givat Hamatos, em Jerusalém Oriental.

No mês passado, o Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu e o seu principal rival, Benny Gantz, concordaram em iniciar planos para a anexação de partes da Cisjordânia ocupada em 1 de Julho como parte do acordo que estabelece um futuro governo de coligação.

Muitos líderes mundiais, governos e organizações internacionais advertiram Israel contra esta medida.

Ainda a Liga Árabe afirmou que a anexação prevista constitui um «novo crime de guerra» contra os palestinos, durante uma conferência virtual coordenada a partir do Cairo.

«A implementação de planos para anexar qualquer parte dos territórios palestinianos ocupados em 1967, incluindo o Vale do Jordão (...) e as terras em que se encontram os colonatos israelitas representa um novo crime de guerra (...) contra o povo palestino», disseram os ministros árabes dos Negócios Estrangeiros numa declaração conjunta.

A Liga Árabe instou igualmente os Estados Unidos a «retirar o seu apoio à viabilização dos planos do governo de ocupação israelita».

Mas os Estados Unidos mostram-se dispostos a reconhecer a anexação de partes fundamentais da Cisjordânia por Israel, dizendo, no entanto, que isso estava dependente da oferta de um Estado aos palestinos.

«Como temos deixado constantemente claro, estamos dispostos a reconhecer as ações israelitas para alargar a soberania israelita e a aplicação do direito israelita a zonas da Cisjordânia que a visão prevê como fazendo parte do Estado de Israel», afirmou um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. O passo seria dado «no contexto de o Governo de Israel concordar em negociar com os palestinos de acordo com as linhas definidas na Visão do Presidente Trump».

Embora o plano devesse ser um acordo entre os israelitas e os palestinos, nenhum representante palestino esteve envolvido na sua preparação e todos os partidos palestinas o rejeitaram pouco depois de ter sido anunciado. O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, ameaçou na semana passada cancelar todos os acordos com Israel e os EUA se Israel avançasse com planos de anexação.

 

Fonte: Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente

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