Quarta Feira, 17 Julho 2019

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Gaza e Hamas: Como Jason Greenblatt pretende transformar a vítima em carrasco

Culpar os palestinos e facilitar os crimes israelenses é a marca da política dos EUA na região

Por Dr. Basem Naim

 

Jason Greenblatt, o representante especial dos EUA para as negociações internacionais, escreveu recentemente no New York Times sobre o suposto papel do Hamas no desastre humanitário que enfrenta a Faixa de Gaza.

Não ficamos surpresos com a falsa imagem apresentada neste artigo, dado que as políticas dos EUA adotam sem reservas a posição extrema de Israel.

Todas as medidas tomadas por esta administração tem como objetivo promover a ocupação e eliminar os direitos palestinos.

O governo Trump reconheceu a cidade de Jerusalém como a capital de Israel; cancelou o direito do retorno palestino e reconheceu a anexação ilegal das colinas de Golã - Síria, por Israel.

A equipe do presidente dos EUA, Donald Trump, deu sinais claros de seu consentimento implícito à anexação de Israel, no todo ou em parte, à Cisjordânia ocupada.



Apoiando a ocupação

Mesmo Greenblatt, que parece estar mostrando preocupações com o bem-estar dos palestinos, não condenou a ocupação israelense, apesar dos crimes diários que Israel comete contra os palestinos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém. Esses crimes foram denunciados em dezenas de relatórios da ONU  internacionais.

Toda vez que Israel ataca nosso povo, Greenblatt e seus líderes expressam seu apoio absoluto à ocupação.

No último ataque, Israel matou 25 palestinos em Gaza, incluindo bebês e mulheres; dezenas feridos; e dezenas de casas e instalações civis danificadas.

Greenblatt no entanto culpou o Hamas por disparar os foguetes, mantendo a posição dos EUA, de que Israel tem o direito de se defender.

Em seu artigo no Times, Greenblatt engana os leitores, aproveitando a falta de conhecimento do público sobre muitos fatos no território.

Greenblatt tenta transformar a vítima em carrasco, em parte listando os efeitos do cerco imposto a Gaza por mais de uma década, desde a falta de remédios e eletricidade, até o desemprego generalizado e o colapso da infra-estrutura, mas ele não aponta a verdadeira causa por trás dessa tragédia humana.



Crimes de guerra de Israel:

Greenblatt afirma que o Hamas que controla Gaza desde 2007, está por trás de tudo isso.

Ele não cita a imensidão de relatórios internacionais acusando Israel de crimes de guerra, e crimes contra a humanidade em Gaza, onde dois milhões de palestinos estão presos e privados de seus direitos básicos.

Sem qualquer evidência, Greenblatt sugere que os palestinos na Cisjordânia estão vivendo uma vida melhor porque desistiram da violência, mas na realidade os palestinos na Cisjordânia são sistematicamente assassinados e desenraizados de suas terras, com a humilhação legalizada ocorrendo o tempo todo.

O muro do apartheid separa as famílias, enquanto colonos coloniais destroem casas palestinas e roubam suas águas.

Tentativas da Autoridade Palestina de alcançar uma solução internacionalmente aceitável - apesar das reservas de muitos palestinos sobre a eficácia dessas tentativas - foram rejeitadas por Israel e pelo governo Trump, à medida que mais assentamentos surgiram e os direitos dos palestinos foram repetidamente espezinhados, incluindo a interrupção do apoio financeiro dos EUA aos palestinianos.

O apartheid israelense foi legalizado através da lei do estado-nação promulgada no ano passado, formalizando um sistema de racismo contra os cidadãos árabes do país.

Greenblatt alega que o Hamas usa mal os materiais que entram em Gaza para fortalecer sua estrutura militar.

De fato, Israel bloqueou a entrada de centenas de produtos básicos em Gaza por razões de “segurança”, incluindo redes de pesca, remédios e equipamentos de informática, mantendo o território atolado na pobreza e no desespero.

 

Desprovido de necessidades básicas:

O que o Hamas tem a ver com o fato de que os pacientes palestinos morrem a cada ano porque são impedidos de viajar para o exterior em busca de tratamento - ou que o sistema de saúde é privado de muitas necessidades básicas, incluindo eletricidade?

Greenblatt não menciona que a grave escassez de eletricidade em Gaza foi desencadeada pela destruição da usina de Gaza por Israel em 2006, e sua obstrução ao fluxo de combustível. Gaza está sofrendo não por causa do Hamas, mas por causa de Israel com cobertura internacional.

Apesar das circunstâncias difíceis e complexas, temos trabalhado arduamente para alcançar uma boa governança, incluindo segurança interna, estabilidade e operação de serviços governamentais vitais.

No nível político, o Hamas tem feito grandes esforços para promover a unidade Palestina e formar um governo internacionalmente aceito, embora esses esforços tenham sido frustrados pela subversão dos EUA e de Israel.



Liberdade e Independência:

O Hamas é um movimento de libertação nacional palestino, democraticamente e de forma transparente eleito pela maioria do povo palestino nas eleições de 2006, que foi supervisionado internacionalmente.

O Hamas acredita no direito de nosso povo à liberdade, independência, autodeterminação e retorno.

Nós não adotamos a violência, mas é nosso direito de resistir por todos os meios disponíveis garantidos pelo direito internacional para todos os povos sob ocupação, mas parece que a administração de Greenblatt não acredita mais no direito internacional, trabalhando para contorná-la e destruir suas instituições.

O Hamas não iniciou nenhuma das três guerras lançadas por Israel contra Gaza em 2008, 2012 e 2014. Israel foi o iniciador todas as vezes.

O Hamas defendeu seu povo com suas próprias capacidades limitadas, que não se comparam ao armamento avançado da ocupação.

Todos os grupos palestinos, incluindo o Hamas, tomaram parte nas recentes manifestações pacíficas perto da cerca de Gaza, exigindo o levantamento do cerco e a implementação do direito de retorno.

Em resposta, a forças armadas israelenses usaram munição real, matando centenas de palestinos e ferindo milhares.

Muitos estão permanentemente desativados. Nenhum israelense foi morto nas manifestações.



Um apelo por justiça

O Hamas tem muita pressão e perseguição porque coloca Gaza e Palestina em primeiro lugar - mas não de acordo com a visão dos EUA, que anda de mãos dadas com os interesses israelenses.

Posso prometer a Greenblatt que o Hamas não sairá de cena, porque é uma parte autêntica e significativa do povo palestino, ele expressa as aspirações de milhões de palestinos, dentro e fora da Palestina.

O acordo dos EUA para liquidar a causa palestina terminará em fracasso retumbante. Em vez de ficar cego para os fatos e esperar pelo impossível, a administração dos EUA deve recuperar o juízo e perceber que a paz e a estabilidade podem ser construídas não em mentiras e distorções, mas em justiça e equidade.

A justiça exige respeito pelos direitos e aspirações do povo palestino, pela liberdade e independência; permitir que contribuam para o bem-estar e a prosperidade, não apenas para si próprios, mas também para os povos da região, e de todo o mundo.

Fonte: Basem Naim ex-ministro da saúde palestino, Middle East Eye

Tradução: IBRASPAL

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