Mais de 30 presos palestinos entram em greve de fome contra detenção administrativa

Trinta palestinos encarcerados em prisões israelitas entraram em greve de fome em solidariedade com seis presos que se recusam a comer ou beber para protestar contra a sua detenção ilegal sem acusação nem julgamento.
A Frente Popular para a Libertação da Palestina informou esta segunda-feira que um novo grupo de 30 presos se juntou à greve de fome de duração indeterminada para protestar contra a prática da chamada detenção administrativa.
Os presos rejeitam a ingestão de alimentos ou água, visando aumentar a pressão sobre as autoridades israelitas para que acedam às reivindicações dos seis detidos que já se encontravam em greve de fome, particularmente Huthaifa Halabiya, cujo estado de saúde se está a deteriorar rapidamente.
Nesta segunda-feira, 12 de Agosto, a advogada da Addameer (Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos) conseguiu visitar Huthaifa Halabiya. Encarcerado em isolamento na Clínica-Prisão de Ramleh, em Israel, Halabiya completou nesse dia 43 dias de greve de fome.
A advogada relatou que, apesar da gravidade do seu estado de saúde, Huthaifa vinha com as mãos e os pés amarrados à cadeira de rodas.
O preso palestino relatou à advogada que, na quinta-feira anterior, a Unidade Yamaz, uma unidade das forças especiais israelitas, invadiu a sua cela, revistou e vandalizou o seu conteúdo, o insultou e deitou ao chão a água e o sal, únicos elementos que ele se permite tomar.
Huthaifa foi preso em 10 de junho de 2018, apenas alguns meses depois de se casar. A sua esposa entretanto deu à luz uma menina, que agora tem 6 meses mas que o pai nunca pôde ver.
Para além disso, desde o início da greve de fome Huthaifa não teve quaisquer contatos com a família, uma vez que lhe foram negada as visitas familiares.
O grupo que agora aderiu ao protesto eleva para 49 o número de presos que se juntaram à acção de protesto em solidariedade com os seis detidos.
A detenção administrativa, sem julgamento nem acusação, permite ao exército israelita deter uma pessoa por um período de até 6 meses, renovável indefinidamente. Neste momento estão em detenção administrativa 400 palestinos.
Fonte: Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente MPPM
DEIXE SEU COMENTÁRIO