Segunda Feira, 03 Agosto 2020

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O genocídio na Palestina com o silêncio cúmplice do mundo

Recentemente, uma data importante foi comemorada, mas não menos dolorosa que, para grande parte do mundo, pareceu passar desapercebida.

A primeira coisa que devo esclarecer é que não sou palestino, não sou parente de palestinos e também não estudei em uma escola árabe. Este é um princípio básico para explicar minha dor e denunciar esse genocídio permanente que durou quase 75 anos, em vista e paciência de um mundo que vê essa tragédia com indiferença. E o pior de tudo é que, em muitos casos, isso justifica.

Eu venho de uma família pobre e muito humilde. Como morávamos em uma população trabalhadora (José María Caro, em Santiago do Chile), sempre havia bolsões de crime. Minha mãe, com sua grande sabedoria, sempre introduziu em nós um senso de responsabilidade e também herdou o gosto pela leitura e pelos livros. Mas meus pais, sem muita instrução, sempre nos ensinaram o senso de justiça. Sempre nos disse o perigo do silêncio. Em outras palavras, não denunciar um ato criminoso também nos torna cúmplices desse crime. Eu nunca esqueci esse ensino sábio. Eu digo tudo isso sobre o título desta coluna de opinião.

Recentemente, uma data importante foi relembrada, mas não menos dolorosa, que para grande parte do mundo pareceu esquecida ou deixada de lado. Deve ser porque os olhos estão na pandemia Covid 19 e agora, a mais recente com os protestos nos EUA, pela morte de um homem negro nas mãos da polícia racista naquele país. Refiro-me à criação desse estado terrorista e criminoso chamado Israel. Com o deslocamento, desapropriação e genocídio em relação à nação da Palestina. Com esta fatídica aliança entre o Estado Hebraico e o Imperialismo Norte-Americano, o desaparecimento do povo palestino, pelo sionismo mundial, foi realizado, sem que ninguém no mundo fosse escandalizado ou condenado.

Em 14 de maio de 1948, o Estado de Israel foi fundado por mandato das Nações Unidas. Na terra que habitava a nação palestina. Desde aquela data fatídica, começaram o martírio, o deslocamento e o genocídio do povo palestino, até que ele tenha sido reduzido ao seu espaço mínimo. Algo que, para pessoas como eu, que são muito atraídas pela história, nos ultraja e abala essa clara injustiça.

O início do Estado de Israel começou com uma política genocida clara, como o massacre de Deir Yassim. Uma cidade na Palestina onde 260 civis palestinos foram mortos entre 9 e 11 de abril de 1948, incluindo crianças, mulheres e idosos. Ou seja, mesmo antes da fundação do Estado de Israel, os extremistas sionistas começaram com o martírio para a Palestina.

Um pouco da história a não esquecer: Deir Yassin era uma cidade de aproximadamente 800 habitantes, cercada por milicianos de vários grupos terroristas sionistas israelenses e com armas pesadas assassinou suas vítimas. Eles acompanharam essa ação com mutilações e estupros, forçando-os a desfilar pelos bairros judeus antes de serem executados. Eles até levaram 150 jovens prisioneiros palestinos.

Desde aquela data fatal e até hoje, os assassinatos e deslocamentos dos habitantes da Palestina não pararam.

Israel agora comemora com pompa sua "Independência" e a criação de sua nação. Então me pergunto: De quem Israel se libertou? A independência não pode ser declarada quando este país foi formado com a expulsão de milhares de palestinos de suas casas e terras ancestrais. Cidades e vilas ergueram-se acima da desapropriação de aldeias demolidas bombardeadas pela fúria assassina dos paramilitares sionistas. Em outras palavras, esta nação comemora sua "Independência" no sangue e cadáveres de milhares de palestinos mortos em sua própria terra. Certamente, todo esse processo de expansão territorial não terminou, e mais, continua até hoje com a total indiferença da comunidade internacional, que com seu silêncio se torna cúmplice ativo desse genocídio. Para isso, conta com o apoio irrestrito, incondicional e sem vergonha do governo dos Estados Unidos.

O sinal evidente dessa aliança fatídica foi a transferência de sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, apoiando Israel na ignorância das numerosas resoluções condenatórias das Nações Unidas (ONU). Além de organizações internacionais como a UNESCO e agora no não reconhecimento da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI) em crimes de guerra cometidos pelo sionismo.

Atualmente, nas palavras do Secretário de Estado dos EUA, ele apoia a anexação dos assentamentos sionistas na Cisjordânia, no vale do Jordão e nas terras ao norte do Mar Morto, à soberania de Israel. Algo claramente flagrante ao direito internacional.

A memória é sempre poderosa. É uma arma contra aqueles que baseiam seus argumentos contra brutalidade e força. São mitos construídos com base em seus ancestrais, aqueles que acreditam em sua história. Assim como o povo da nação mapuche, do Chile, constrói sua identidade há séculos, a nação da Palestina constrói sua identidade. Como aqueles que foram expulsos de suas terras e lares podem esquecer? Eles podem deixar para trás suas colheitas, suas oliveiras, seus animais? Essa é a crueldade do usurpador. Esquecer é um eterno processo de expulsão que nunca acaba.

Para finalizar, não acredito na mentira do sionismo internacional que eles espalharam pelo mundo, que eles são o povo escolhido de Deus.

 

Fonte: Hugo Farías Moya, Kaos na Net

Tradução: IBRASPAL

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