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Presidente do Ibraspal condena ameaça de transferência da Embaixada e pede que Brasil mantenha respeito às resoluções da ONU

Transferência de Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém viola Direito Internacional

 

Por Lúcia Rodrigues
Ibraspal

 

O presidente do Instituto Brasil Palestina (Ibraspal), Ahmad Shehada, vê com muita preocupação a ameaça do governo Bolsonaro de transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, na Cisjordânia ocupada.

 

"Isso viola o Direito Internacional", frisa. Ele recorda as várias resoluções da ONU, a Organização das Nações Unidas, que rechaçam a ingerência de Israel na Palestina.

 

A Resolução 478, de seu Conselho de Segurança, por exemplo, aprovada em agosto de 1980, tornou nula a lei israelense que determinava que Jerusalém era a capital de Israel.

 

O texto, aprovado por 14 votos a favor e nenhum contra, com apenas a abstenção dos Estados Unidos, ressalta que a lei israelense viola o direito internacional e a Quarta Convenção de Genebra.

 

Como resposta, o Conselho de Segurança propôs que os Estados-membros da ONU retirassem suas representações diplomáticas da cidade.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transferiu sua embaixada em maio deste ano gerando reações contrárias no mundo todo. Os protestos na Palestina foram reprimidos com brutalidade pelos militares israelenses, que mataram dezenas de palestinos.

 

Shehada explica que a atitude de Bolsonaro reforça os ataques desferidos contra os palestinos ao longo de mais de 70 anos de ocupação sionista. "Não dá para o Brasil ficar do lado do agressor, apoiando a limpeza étnica. Todo mundo sabe que Jerusalém é uma cidade ocupada."

 

"Recomendo para Eduardo (Bolsonaro) e seu pai (Jair Bolsonaro), que se o governo quiser ter influência no Oriente Médio atue como mediador de paz", propõe o presidente do Ibraspal.

 

Ele enfatiza que Bolsonaro não precisa criar conflitos onde não existem. "Eu amo o Brasil e os brasileiros de coração. Todos os palestinos amam o Brasil e o povo brasileiro. Bolsonaro quer criar confusão para estragar a amizade entre os povos. É uma agressão sem nenhuma justificativa", critica.

 

Sobre o comentário de Eduardo Bolsonaro em que alega que divergências entre sunitas e xiitas poderiam favorecer o governo do pai na transferência da embaixada brasileira, Shehada explica: "Não há nenhuma divergência entre sunitas e xiitas sobre esse assunto. Tanto muçulmanos como cristãos reconhecem que Jerusalém pertence aos palestinos".

 

"Esperamos que o novo governo reavalie a decisão, porque isso vai trazer muito prejuízo para o Brasil e o mundo árabe", conclui.

 

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