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Unidade secreta de Israel oculta documentos que provam crimes contra palestinos durante a Nakba

Unidade secreta de Israel oculta documentos que provam crimes contra palestinos durante a Nakba

Num longo artigo, o Haaretz informa que equipas anónimas do Ministério da Defesa têm escondido sistematicamente centenas de documentos, numa tentativa de esconder provas documentais da Nakba.

Nakba (Catástrofe, em árabe) é o termo que designa a limpeza étnica, em 1948, de cerca de 750 000 palestinos, forçados a abandonar as suas casas e propriedades por grupos armados sionistas, e mais tarde pelo exército de Israel, que cometeram massacres e destruíram e esvaziaram dos seus habitantes centenas de aldeias e cidades palestinas. Os refugiados palestinos foram e são impedidos por Israel de retornar às suas casas, apesar das resoluções da ONU que o determinam.

O Ministério da Defesa dá também especial atenção a documentos relacionados com o programa nuclear — Israel é a única potência nuclear do Médio Oriente, graças à colaboração e complacência das potências ocidentais — e as relações externas.

Segundo um relatório elaborado pelo Instituto Akevot para Investigação do Conflito Israel-Palestina, observa o Haaretz, «a operação está a ser liderada pelo Malmab, o departamento secreto de segurança do Ministério da Defesa, cujas atividades e orçamento são matéria classificada.» Malmab é a sigla em hebraico de «diretor de segurança do establishment da defesa».

Haaretz realizou uma investigação e «descobriu que o  Malmab escondeu os testemunhos de generais das IDF [forças armadas israelitas] sobre o assassínio de civis e a demolição de aldeias, bem como documentação sobre a expulsão de beduínos durante a primeira década do Estado».

Alguns dos documentos que foram retirados e selados revelam pormenores de pilhagens, massacres de palestinos, expulsão forçada e demolição de aldeias por milícias israelitas, nomeadamente com base em entrevistas com generais e soldados que comandaram ou participaram nos acontecimentos de 1948, informa o Haaretz.

Israel defende oficialmente a tese de que o êxodo em massa dos palestinos do território onde Israel queria estabelecer o seu Estado se deveu ao apelo de políticos árabes que encorajaram a população a abandonar o território. Porém, como revela o o artigo do Haaretz, os documentos ocultados apresentam uma narrativa diferente, admitindo que 70% dos palestinos deslocados foram expulsos de suas terras em resultado direto de «operações militares judaicas».

A natureza do caráter explosivo para a tese sionista do material ocultado pode ser avaliada pelo conteúdo de um dos documentos, que o Haaretz transcreve: «Safsaf [antiga aldeia palestina perto de Safed] — 52 homens foram apanhados, amarraram-nos uns aos outros, cavaram um buraco e dispararam sobre eles. 10 ainda se contorciam. Vieram mulheres, imploraram misericórdia. Encontrei corpos de 6 homens idosos. Havia 61 corpos. 3 casos de violação, um em Safed, menina de 14 anos, 4 homens baleados e mortos. A um deles cortaram os dedos com uma faca para tirar o anel.»

Um outro documento de 1948 também citado pelo Haaretz até descreve as causas específicas do êxodo de cada uma de dezenas de localidades palestinas: Ein Zeitun — «nossa destruição da aldeia»; Qeitiya — «fustigamento, ameaça de ação»; Almaniya — «nossa ação, muitos mortos»; Tira — «conselho judaico amigável»; Al'Amarir — «depois de roubos e homicídios cometidos pelos cisionistas» [referência às tristemente célebres milícias judaicas Irgun e Lehi (também conhecida por Bando Stern)]; Sumsum — «nosso ultimato»; Bir Salim — «ataque ao orfanato»; e Zarnuga — «conquista e expulsão».

As  milícias Irgun e Lehi são bem conhecidas pelo seu papel no massacre de Deir Yassin, em Abril de 1948, em que mataram centenas de palestinos.

Haaretz escreve que Yehiel Horev, que dirigiu o Malmab durante duas décadas, até 2007, afirma que «faz sentido esconder os acontecimentos de 1948, porque desvendá-los poderia gerar agitação entre a população árabe do país», ou seja, os palestinos cidadãos de Israel, que constituem mais de 20% da população do país e continuam a ser tratados como «inimigo interno».

Yehiel Horev explicou que o objetivo da remoção dos documentos, alguns dos quais até já anteriormente tinham sido objeto de publicação, «é minar a credibilidade dos estudos sobre a história do problema dos refugiados … uma alegação feita por um investigador que é apoiada por um documento original não é o mesmo que uma alegação que não pode ser provada nem refutada».

 

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