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"Vá rezar no Knesset", palestinos dizem à Arábia Saudita sobre a visita patrocinada por Israel

Mohammed Saud, um blogueiro auto-intitulado e um admirador de Israel, enfrenta uma reação violenta ao visitar Jerusalém

Um blogueiro saudita que visitou o complexo da Cidade Velha de Jerusalém e Al-Aqsa com um visto patrocinado por Israel foi perseguido e expulso por moradores palestinos, que o chamaram de "lixo", "barato" e "sionista", e cuspiram na cara dele.

Mohammed Saud, um blogueiro auto-intitulado e admirador vocal de Israel, estava em uma viagem oficialmente patrocinada pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel.

Ele fez parte de uma delegação de seis jornalistas dos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Iraque e Egito, que se reuniram com membros do parlamento de Israel, o Knesset e visitaram o Museu do Holocausto.

O vídeo que circula nas mídias sociais mostra moradores palestinos de Jerusalém atirando cadeiras de plástico e lâmpadas em Saud, que pediu sua conta no Twitter para uma completa normalização entre o Estado de Israel e o Reino da Arábia Saudita.

"Vá rezar no Knesset", alguém disse a Saud quando ele andava pelas ruas da Cidade Velha, na ocupada Jerusalém Oriental. Outros o amaldiçoaram e insultaram, chamando-o de “traidor”, “sionista”, “lixo” e “barato”.

Enquanto Saud foi expulso do complexo de Jerusalém em Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados do Islã, um palestino disse a ele: "Todas as crianças da Palestina cuspiram em você". Uma criança então pulou e cuspiu no rosto de Saud.

Nas imagens, o blogueiro é visto usando um tradicional traje negro usado por xeques e membros da realeza na Península Arábica.

Outros amaldiçoaram o rei saudita Salman e chamaram seu filho o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman de "traidor".

"Trump vai ordenhar você, al-Saud", alguém avisou. Middle East Eye não pôde confirmar as identidades das pessoas que aparecem nas filmagens.

A polícia israelense divulgou um comunicado na terça-feira dizendo que prenderam três pessoas envolvidas no "ataque ao turista".

A visita de Saud, juntamente com outros jornalistas árabes, é evidência de crescentes laços entre os estados da Península Arábica e Israel.

A Arábia Saudita não reconhece oficialmente o estado de Israel. No entanto, os governos dos dois países tornaram-se cada vez mais próximos nos últimos anos, muitas vezes citando o seu inimigo comum, o Irã, como causa.

No ano passado, uma delegação do Bahrein composta por figuras religiosas visitou Jerusalém e pediu "coexistência".

Embora o governo de Riad esteja se preparando para abrir relações com Israel, os sauditas em geral são mais circunspectos, o que torna o apoio aberto de Saud ainda mais incomum.

Tradução: Tenho certeza de que a sociedade saudita não aceita qualquer normalização com a ocupação israelense da Palestina. Também declaro que os sionistas querem agitar a sedição entre as comunidades árabe e muçulmana para aproximar um lado do outro. No final, qualquer disputa a seu favor parece-me um mau representante que é espancado apenas pela fotografia.

Em um vídeo postado no 71º aniversário da fundação de Israel, e na Nakba (Catástrofe) palestina, quando 700.000 foram expulsos de suas casas, Saud é visto dizendo: "Eu amo Israel".

"Eu amo este país porque é o ícone da liberdade", disse ele.

Saud disse que aprendeu hebraico e segue as lições religiosas de Amnon Yitzhak, um rabino com um estilo de rock star.

"Eu amo a música israelense, e eu poderia executar algumas das canções hebraicas de cor e sem ler as letras de um papel", disse Saud.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos condenou a visita dos jornalistas dizendo que "rejeita todos os tipos e tipos de normalização com o inimigo sionista".


Fonte: Middle East Eye
Tradução: IBRASPAL

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