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Você sabe o que significa Palestina Livre

Por Rafiqa Salam

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

comitepalestinasc@gmail.com

dez 2019

 

Palestina Livre! Muito antes desta expressão fazer parte das lutas de solidariedade ao povo palestino já era bradada pelos palestinos nas décadas que antecederam a invasão sionista que culminou na criação do Estado de Israel, sob resolução 181-ONU de 1947. Foi o hino na Guerra dos Seis Dias (1967), no massacre de Sabra e Chatila (1982), na Primeira Intifada (1987), na Segunda Intifada (2000) e em outras lutas de resistência, inclusive entoam na Marcha do Retorno, iniciada em 30 de março de 2018 marcando nossas sextas-feiras até o presente.
Palestina Livre é mais que uma expressão! Imprime a ideologia de uma luta, é a Palestina Livre do sionismo!


Parece simples de entender, mas na prática não é. Apoiadores, simpatizantes, militantes, solidários da Causa Palestina com o símbolo de vitória nas mãos e cartazes nas manifestações gritam: Palestina Livre! Passou a ser dita por muitos, mas por vezes desatrelado do compromisso com o seu significado.


Defender a Palestina Livre do sionismo requer defender a Palestina histórica, devolvendo o seu território de 27.000km², do rio Jordão ao mar Mediterrâneo! Requer defender Jerusalém como sua capital, assegurar o direito de retorno ou indenizações aos 6 milhões de refugiados e exigir a imediata libertação presos políticos, aproximadamente 7 mil. Requer defender a autodeterminação do povo palestino!


É entender que a proposta de dois estados para dois povos não é equânime, não é justa e não é viável. E é a realidade que revela tal constatação! Estivemos durante o mês de outubro na Palestina. Esta foi a minha terceira viagem (estive em 2010 e 2014). Entre a beleza e o árduo trabalho da colheita da azeitona, da produção do puro azeite de oliva, contrastava a violência israelense cotidiana sobre os palestinos.

Comparando os períodos que estive na Palestina, está viagem mostrou um cenário ainda mais desolador: check points israelenses móveis e fixos distribuídos por toda a Palestina; o muro da vergonha de mais de 700 km serpenteando as terras palestinas impedindo o direto de ir e vir dos palestinos; a invasão dos assentamentos judaicos nas áreas A e B (as áreas não contíguas descritas no fracassado Plano de Oslo como possível território para conformação do Estado palestino); prisões arbitrárias de crianças, adolescentes, mulheres, homens que lutam em defender o seu solo pátrio e por melhores condições de vida (muitos em prisões administrativas, sem julgamento); violências do exército israelense sobre os civis, sem respeitar as casas, escolas, hospitais e nem os lugares sagrados, retratando a brutalidade da limpeza étnica. Mas, também, mostrou a resistência palestina e, além dos gritos: Palestina Livre, a convicção de que a defesa de dois estados chegava ao fim: Como consolidar dois estados quando os direitos dos palestinos não são respeitados?


Hoje, a Palestina está 100% ocupada por Israel. A Autoridade Nacional Palestina (ANP) não tem autonomia política, econômica e nem geográfica: Cisjordânia parece um queijo suíço e Gaza está cercada e isolada. Realidade orquestrada pelo Estado Sionista de Israel e pelos Estados Unidos.


Defender dois estados é assimilar as violações perpetradas por Israel nestes 71 anos. É ter a ilusão que Israel se retirará das áreas que ocupa ilegalmente, sendo que seu o propósito expansionista é conhecido por todos: do rio Nilo ao Eufrates! É não reconhecer que as negociações que aconteceram ao longo da história resultaram em fortalecimento do Estado de Israel e a depreciação do Estado Palestino. Passa a ser uma contradição gritar Palestina Livre e defender dois estados! O tempo urge e o silêncio da ANP, dos governos dos países árabes e do mundo não é mais aceitável.


Mais do que sangue nas veias palestinas corre a determinação em defender sua Pátria! A consolidação da Palestina Livre pressupõe a autodeterminação do povo palestino. O sionismo não é uma ameaça só à Palestina, mas para o mundo! A unidade nacional palestina e a solidariedade internacional são as fortalezas para a defesa da criação de um único Estado. Um país onde todos possam viver com equidade, direitos e justiça social. Uma Pátria sem segregação, sem perseguição religiosa e sem racismo é possível, pois estes são os sentimentos e a vontade do povo palestino. A conquista do Estado Palestino, laico, democrático, sobre seu solo Pátrio histórico, com Jerusalém capital é a Palestina Livre!


A vontade de compartilhar o significado da expressão revolucionária Palestina Livre aconteceu agora, no regresso desta viagem. Por muitos anos, no início da minha militância, tínhamos uma palavra de ordem que gritávamos: Palestina para os Palestinos! Compreendíamos que era a expressão mais justa do povo recuperar seu território saqueado. O tempo passou e a luta palestina se fortaleceu, ganhou mentes e corações.

 

Passamos a gritar: Sionistas fora da Palestina. A minha palestinidade não está na minha descendência! Está na minha convicção por justiça! E, como disse Mandela, “nós sabemos muito bem que nossa liberdade é incompleta sem que haja liberdade para os palestinos”! Assim, é imprescindível entender o que significa Palestina Livre!


A Palestina Livre é uma construção coletiva, diária, de consciência e engajamento! E você é parte desta luta quando compreende, se envolve e se compromete com a consolidação deste direto! Somos todos palestinos e Viva a Palestina Livre!

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