Quarta Feira, 12 Agosto 2020

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WeAreAllIsraa: Assassinato 'por honra' motiva protestos na Palestina

A jovem foi espancada pelo irmão por ter se encontrado sozinha com o noivo.

Uma onda de raiva e indignação invadiu as redes sociais hoje em vários países do Oriente Médio, depois que centenas de mulheres protestaram hoje na cidade de Belém, na Cisjordânia, para exigir justiça pela morte de Israa Ghareeb, uma jovem vítima palestina de um caso de assassinato "por honra".

A hashtag "#WeAreAllIsraa" (todos somos Israa) tem sido uma tendência nos últimos dias no Twitter, com mais de 50 mil twitts, nas quais mulheres palestinas e de outros países exigem esclarecer as circunstâncias da morte de Israa, punir ou responsável e leis para impedir os assassinatos "por honra".

De acordo com as mensagens que invadem as redes sociais em árabe e inglês em países do mundo árabe, a garota palestina de 21 anos foi vítima de um caso de assassinato por honra de sua família, por uma reunião que ela teve com seu suposto noivo.

Israa morreu na quinta-feira passada no Hospital da Sociedade Árabe em Belém, onde foi hospitalizada em 8 de agosto, com ferimentos graves, causados por seu irmão Ihab, que a atingiu, depois que a jovem postou um vídeo no Instagram com um homem que lhe havia proposto casamento.

Aparentemente, o pai de Israa ordenou que Ihab espancasse a mulher depois que os membros da família a alertaram sobre a presença do vídeo online, alegando que seu post "desonrou" a família, apresentando-se ao seu futuro marido, antes de o casamento ocorrer.

Em obediência ao pai, o homem torturou e espancou brutalmente a mulher, que na tentativa de escapar da violência, supostamente caiu do segundo andar de sua casa em Belém, causando ferimentos graves na coluna vertebral.

Do hospital, a jovem publicou uma selfie mostrando algumas partes de seu corpo machucado em sua conta do Instagram, com a mensagem: "Estou melhor agora. Alhamdulillah", que irritou seu pai e irmão novamente, que a teriam atacado por segunda vez, segundo reportagens do site Arab News e do jornal Jerusalém Post.

Sem mencionar exatamente o que aconteceu, Israa publicou dias depois que não poderia trabalhar pelos próximos dois meses enquanto esperava uma operação na medula espinhal.

"Sou forte e tenho vontade de viver; se não tivesse essa força de vontade, teria morrido ontem", disse Israa Ghareeb.

As publicações da jovem invadiram as redes sociais nos territórios palestinos e em outros países vizinhos, junto com uma gravação em áudio, na qual ela é ouvida violentamente torturada, embora não tenha sido confirmado se a voz era a de Israa.

A família diz que Israa Ghareeb pulou de uma varanda 

Na quinta-feira passada, amigos e grupos de direitos das mulheres confirmaram a morte da garota, que eles suspeitam ter morrido nas mãos de seus parentes por um suposto caso de "assassinato por honra", embora a família diga que Israa pulou de uma varanda de sua casa depois de ser "possuído por demônios". 

Em áreas conservadoras do Oriente Médio, as mulheres foram assassinadas por parentes do sexo masculino por suspeitas de que envergonharam a família ao violar "regras estritas" sobre assuntos extraconjugais, um costume amplamente praticado, sem punir os responsáveis. 

Em meio às condenações nas redes sociais, centenas de mulheres palestinas protestaram na segunda-feira para exigir uma investigação sobre a morte de mulheres e pediram às autoridades leis mais rigorosas para protegê-las da “morte por honra”.

Se a morte de Israa for realmente confirmada devido a essa trágica tradição, seria o décimo nono caso registrado até o momento este ano nos territórios palestinos, de acordo com organizações não-governamentais contra a violência palestina. Embora, infelizmente, a grande maioria dos casos não serem oficialmente denunciados.

 

Fonte: Notimex

Tradução: IBRASPAL

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